quarta-feira, 30 de julho de 2008
Empresa chinesa desafia poluição com plástico 100% biodegradável
NINGBO, China (AFP) - Chen Xuejun sonha em ter um xampu com o frasco "100% biodegradável", graças a um plástico inventado pela empresa chinesa para a qual trabalha.
"Atualmente somos os únicos que comercializamos o PHBV, um material derivado do amido, transformado em glicose e depois fermentado. Há muitas unidades de pesquisa e desenvolvimento no mundo, mas não outra fábrica", disse Chen, fundador da empresa Tianan Biologic Material de Ningbo, um porto de Zhejiang (leste da China).
Nem uma gota de petróleo entra na composição deste polímero biodegradável do que a Tianan Biologic já tem uma capacidade de produção de 2.000 toneladas anuais.
Ele é feito à base de milho. "Podemos utilizar todos os tipos de amido, mas, na China, o do milho não é muito caro", explicou Liu Hui, diretor de marketing da empresa.
"O resultado é um material muito resistente ao calor e aos dissolventes", acrescentou.
Para provar o que estava falando, Chen colocou uma caixa em PHBV em água fervendo e mostrou que ela não sofreu dano algum. Depois, repetiu a operação, mas desta vez com uma caixa em outro tipo de polímero biodegradável, o PLA, que é ácido polilático também produto da fermentação de açúcares vegetais ou amido. Esta última, em contrapartida, ficou deformada.
"O PLA, cada vez mais usado para substituir as sacolas plásticas tradicionais, não suporta uma temperatura superior a 60ºC ", explicou Chen, acrescentando orgulhoso que basta misturá-lo com nosso PHBV para torná-lo resistente.
O fundador da Tianan Biologic - que comprou uma patente da prestigiosa universidade Tsinghua de Pequim, conta com esta superioridade para conseguir o sucesso de seu produto.
"O PHBV é o futuro", afirmou, referindo-se ao seu produto como embalagem que protege contra o excesso de calor, começando pelo lápis de lábios, para evitar que derreta, por exemplo, quando esquecido no porta luvas do carro.
No entanto, Chen sabe que "os cosméticos já são o suficientemente caros para suportar o custo de uma embalagem ainda mais cara".
Isto porque o PHBV continua sendo um produto mais caro que o plástico normal, admitiu Chen.
"Atualmente a tonelada custa 3.740 euros, mas espero que possamos reduzir este valor num futuro não muito distante, quando aumentarmos nossa produção", afirmou.
A empresa iniciou sua produção em 2003, mas ainda não trabalha a pleno vapor, embora pretenda fazê-lo em breve, respeitando as normas internacionais do meio ambiente, afirmaram seus diretores.
Em 2007 vendeu menos de 200 toneladas de PHBV, mas vendeu mais que o dobro desta quantidade somente neste ano a cerca de 100 clientes, sobretudo os europeus, com os alemães na cabeça, embora também americanos e japoneses.
O principal cliente de Chen é uma empresa americana, a Design Ideas, que comercializa objetos coloridos para banheiros, embora a sociedade chinesa já tenha outros acordos de venda com "gigantes" como o alemão BASF.
Agora a Tianan Biologic tem apenas mais um passo a dar para ser verdadeiramente ecológica, deixar de usar os cereais como matéria-primas.
"O dia em que conseguirmos separar a glicose, poderemos utilizar erva. Mas esta técnica ainda é muito complexa", reconheceu.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Defesa da Amazônia Azul é estratégica
[20:26] - 26/07/2008
RIO - Chamado de Amazônia Azul, o território marítimo brasileiro, duas vezes
maior que o Estado do Amazonas, entrou no foco das preocupações políticas.
No momento em que os mais recentes poços de petróleo encontrados pela
Petrobras encostam no limite de 200 milhas náuticas da área considerada de
exploração exclusiva do Brasil, a reativação em junho da Quarta Frota da
Marinha americana para operações militares nas Américas do Sul, Central e
Caribe, conjuga um quadro de inquietação.
Potências estrangeiras têm interesses econômicos e estratégicos na questão.
Os Estados Unidos não são signatários da Convenção das Nações Unidas sobre o
Direito do Mar (CNUDM), o acordo internacional que estabelece o limite dos
mares territoriais de cada nação costeira, do qual o Brasil é signatário
desde 1982. E, mês passado, reativaram a Quarta Frota, unidade naval que,
segundo o Pentágono, vai patrulhar águas internacionais da costa
sul-americana.
Por iniciativa do senador Pedro Simon, a Comissão de Relações Exteriores do
Senado decidiu escrever uma carta dirigida aos candidatos à Presidência dos
Estados Unidos, Barack Obama e John McCain. No documento, foi formalizada a
preocupação do Senado brasileiro com a reativação da Frota.
- O Brasil precisa defender seu mar territorial, pois é nessa área que está
o petróleo cobiçado em todo o mundo. O ministério da Defesa prevê que os
próximos poços descobertos ultrapassem a extensão de soberania brasileira.
As riquezas em alto-mar se valorizaram muito nos últimos anos. De um lado
estão as riquezas marítimas da plataforma continental e de outro a Amazônia,
está claro que a não assinatura do acordo é uma estratégia dos EUA.
*Ouro negro*
Geógrafo da USP, Aziz Nacib Ab' Saber sustenta a preocupação do ministério
da Defesa em relação a novas descobertas de petróleo com base na teoria da
formação das bacias sedimentares:
- No período de separação entre a América do Sul e a África, ambas costas
foram inundadas com bolos sedimentares de algas e restos de animais. Em
seguida, levantaram-se os blocos continentais e as bacias sedimentares se
aprofundaram, gerando um aquecimento geotérmico que acelerou a transformação
deste bolo biogênico em óleo. O petróleo é fruto do movimento tectônico.
O geógrafo conclui que "entre América do Sul e África há muito petróleo que
ultrapassa nossa extensão marítima", ressaltando ser preciso "defender o
patrimônio, que parte inalienável da soberania brasileira".
A camada pré-sal, com reservatórios biogênicos que se estendem por 800 km do
Espírito Santo a Santa Catarina, pode conter um volume de petróleo capaz de
colocar o Brasil entre as maiores potências petrolíferas. Até agora, a
Petrobras estimou apenas as reservas do campo de Tupi, em entre 5 a 8
bilhões de barris de óleo, mas fala-se em 33 bilhões de barris só na bacia
de Santos.
O Brasil já negocia com a França um acordo para a construção de um submarino
à propulsão nuclear que ajudaria na proteção dessas áreas.
Perito brasileiro da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC)
junto à ONU, o oficial da Marinha Alexandre Tagore Albuquerque pondera que
"em todas as declarações do governo americano consta a afirmação de que
respeitarão a jurisdição dos Estados costeiros em relação aos seus espaços
marítimos", mas ressalta a soberania brasileira:
- Limites de fronteira são uma questão de Estado que invariavelmente
envolvem a economia, posto que em última análise o território terrestre ou
marítimo será sempre importante fonte de recursos naturais. O interesse de
qualquer potência estrangeira não pode ir além do que preconiza o direito
internacional. É disso que tratamos.
A Quarta Frota atuou entre os anos de 1943 e 1950 e foi reativada mês
passado, sem explicações ou aviso prévio aos países da região que vai
patrulhar. O sobressalto levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a dizer
que "Os EUA poderão atuar em áreas não jurisdicionais brasileiras. Aqui não
entra!".
Simon conta que o chanceler Celso Amorim "recebeu um telefonema da
secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, desculpando-se por não ter
se dirigido antes aos governos da América Latina".
O senador questiona por que um presidente em final de mandato como George
Bush tomou uma atitude como esta sem consultas.
- Por isso queremos saber qual é a posição dos presidenciáveis americanos
sobre o tema - insiste. - É uma disputa nova, sem experiências antecedentes.
É necessário abrir um diálogo com os presidentes latinos.
Jobim declarou que uma das prioridades da política nacional de defesa, que
será anunciada dia 7 de setembro, reestruturar os conceitos da defesa da
soberania nacional. Nesse sentido, chegou a defender que a Petrobras
colabore com o reaparelhamento da Marinha, que receberia parte dos royalties
resultantes da exploração de petróleo.
Colaboração: Eliane Quagliani
sábado, 19 de julho de 2008
FANZINE ELETRÔNICO MARKETING SOCIAL NO BRASIL XXXVIII
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Rio de Janeiro 18 de julho de 2008 - Sexta-feira
Ano VI - Número XXXVIII - 18 de julho
Jornalista Responsável - *Márcia Neves - DRT 30181/96
Eu sou um mamute rebelde?
Curiosamente este ano recebi algumas mensagens perguntando o que
é o Fanzine e a sua proposta, o que me deixou intrigada. Parei para
pensar e cheguei a conclusão que envelhecemos (eu e o Fanzine) não
fazemos mais parte de um clube seleto de "Malditos", que não se
enquadram no terceiro setor por serem demasiado profissionais, alem de
calculistas e frios em suas analises, e rebeldes para o segundo setor,
pois apesar de conhecerem o jogo e saber como jogar, não concordam
com as normas aplicadas para com a sociedade. Somos mamutes aguardando
a extinção?
Evolução ou involução da raça humana, confesso que fico perdida,
pois não vi muitas mudanças, desde que entrei nesse processo, fazendo
uma avaliação 'fria e calculista', e eu já vivi mais de 50% da minha
espectativa de vida esperada, para um país que esta em 70º lugar no
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a Albânia e Arábia Saudita
ultrapassaram o Brasil, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano
2007/2008. Faço o 'Mea Culpa'.
Mas não vamos nos perder, o foco é a origem do fanzine e blá,
blá, blá... Em 1999, iniciei a minha jornada autodidata, sim
menininhas e menininhos da nova geração, não existiam cursos,
disciplinas nas faculdades, ou mesmo periódicos nacionais que
abordassem marketing social, responsabilidade social, ou
sustentabilidade no Brasil, apresentando os nossos problemas, as nossa
dificuldades, assim como os conceitos atualizados para essa realidade.
Essa busca resultou no primeiro livro 'Marketing Social no Brasil',
2001, que segundo a Escola Superior de Propaganda e Marketing foi
considerado, na época, um livro pioneiro (Revista da ESPM), origem do
nome do fanzine, de la para cá vieram mais dois livros, fruto das
necessidades dos meus alunos de pós graduação, seus questionamentos e
duvidas: 'O Novo Mercado', 2002, e 'Consumo Consciente', 2003, todos
pela editora E papers (www.e-papers. com.br).
O ponta pé foi a lista de Informação Marketing Social no Brasil,
na Comunidade MSN,que foi desativada no dia 26/05/2003,uma
segunda-feira, por questões técnicas. O Fanzine Marketing Social no
Brasil foi criado no dia 22/05/2003, em paralelo, tendo a sua
hospedagem no Yahoo Grupos, um dos poucos a oferecer este tipo de
serviço gratuito e de qualidade naquela época. Ele era em HTML,
colorido, trazia, além da agenda que vocês já conhecem, arquivos para
serem baixados, artigos, porém, como não era possível garantir a
segurança dos assinantes, ele passou a ser em TXT.
Época bem chatinha a do Fanzine colorido. Eu já estava cansada de
receber reclamações na minha caixa de gente que não atualizava o
antivirus. Baixavam tudo quanto era porcaria na rede, e depois
culpavam o fanzine pelos bugs, trojanos e afins. Era o "famoso macaco
olha o teu rabo", é mais fácil olhar o rabo do outro e apontar, do que
olhar o próprio e limpar. Como o Fanzine era em HTML... vamos culpar o
Fanzine, logo, acabei com a festa: curta e grossa. A rede não é um
mundo virtual, é um mundo digital com pessoas reais, que cometem ações
reais que geram conseqüências. E atualmente se alguem quiser algo
mais que a agenda, pode acessar o blog
http://www.marciane ves.blogspot. com/, que tem uma coletânea de artigos.
Mas o que é um fanzine, jovens da nova geração?
Os fanzine [fan(atic) + (maga)zine] são publicações de caráter
marginal distribuídas e/ou publicadas pelos próprios editores, e não
profissionais. São caracterizados pela sua publicação irregular e ao
ritmo do editor;Têm baixa tiragem; Acompanham os meios tecnológicos
da época; Quanto ao formato, não há padronização; A distribuição é
restrita a círculos específicos; Não há fins lucrativos, quando são
vendidos o objetivo é financiar a edição seguinte; Possuem um tema; e
em geral, os nomes apresentam anti-convencionalis mo.
Os primeiro fanzines surgiram da década de 1930 e tratavam sobre
ficção científica. Em 1936, surge o primeiro dedicado a uma banda. Na
década de 1960 é um elemento chave no movimento de contracultura. Em
1970, o movimento Punk o utiliza como ferramenta de sua estética
"do-it-yourself" . Em 1980, é a vez dos escritores divulgarem os seus
pensamentos.
O autor de fanzines é um indivíduo que rompe com as convenções e
normas da sociedade, pois não quer ser tolido. Os fanzines são
alternativos e mais do que consumir cultura a fazem. O objetivo do
autor de fanzines é sentir-se bem consigo e mudar a sociedade. Para
Stephen Duncombe, no livro "Notes From Underground: Zines And The
Politics Of Alternative Culture", citado por James Surowiecki, é
possível um produto cultural servir de instrumento de rebelião
cultural. Se o Fanzine Marketing Social no Brasil chega a provocar
rebelião... hum... quem sabe num passado distante, ou num futuro
próximo...
Tudo esclarecido para os novos assinantes, este mamute rebelde
deseja a todos um ótimo final de semana.
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BLOGs:
Márcia Neves: http://marcianeves. blogspot. com/
Maximiliano - O Chow Chow: http://maximilianoo chowchow. blogspot. com/
Adote um CHOW CHOW sem lar http://adoteumchowc how.blogspot. com/
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=> O FANZINE ELETRÔNICO MARKETING SOCIAL NO BRASIL pertence ao gênero
de imprensa alternativa que foge as estruturas comerciais de produção
e uma de suas características é a independência.
=> Distribuição gratuita e eletrônica
=> É permitido republicar, desde que citada a fonte e sítio: Marketing
Social no Brasil www.marketingsocial nobrasil. hpg.com.br
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*Márcia Neves - Jornalista, formada em Comunicação Social,
especialista em Gestão Estratégica e Qualidade, MBA em Administração
de Marketing, autora dos livros "Consumo Consciente" (2003), "O Novo
Mercado – Do Social ao Ambiental" (2002), e"Marketing Social no Brasil
(2001), todos pela Editora E-Papers - www.e-papers. com.br
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FINAL DESSA EDIÇÃO
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terça-feira, 15 de julho de 2008
FANZINE ELETRÔNICO MARKETING SOCIAL NO BRASIL - Número XXXVII
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Rio de Janeiro 15 de julho de 2008 - Terça-feira
Ano VI - Número XXXVII - 15 de julho
Jornalista Responsável - *Márcia Neves - DRT 30181/96
A G E N D A
Fontes: Abdl, Abong, Akatu, Gife, Idec, Rits e outras
15/07
Seminário "A importância do Rádio para o Controle Social"
Coordenação: Ação Fome Zero e Oboré
Local: São Paulo, às 15h30min, devem confirmar presença (nome, RG e
instituição) pelo telefone (11) 3120-2600 ou pelo e-mail
luiza.teixeira@acaofomezero.org.br.
17/07
Biodiversidade e Pesca: Serviços Ambientais Ameaçados?
Presenças confirmadas: John Finisdore, do World Resources Institute
(WRI); José Dias, do IBAMA; Mauro Rufino, da Secretaria Especial de
Agricultura e Pesca (SEAP) do Governo Federal; Ana Paula Prates, do
Ministério do Meio Ambiente; Clemente Coelho, da Universidade de
Pernambuco; Alexandrina Sobreira de Moura, da Fundação Joaquim Nabuco
e Alberto Campos, da Associação de Pesquisa e Preservação de
Ecossistemas Aquáticos (Aquasis).
Local: Recife, www.sustentavel.org.br, 9h às 16h30, na Sala Calouste
Gulbenkian - Fundação Joaquim Nabuco (Av.17 de Agosto n° 2187 - Casa
Forte – Recife).
18/07
Inscrições: Quinta Edição do Prêmio de Educação Ambiental Amigos do Mar
Coordenação: Instituto Arcor Brasil e Projeto Tamar. O Projeto Tamar é
uma parceria do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade) e Fundação Pró-Tamar, com o patrocínio da Petrobrás.
Informaçöes: www.amigosdomarnaescola.com.br
19/07
I Encontro Oxigênio de Software Livre e Inclusão Digital.
Coordenação:Oxigênio Desenvolvimento de Políticas Públicas e Sociais,
Grupo de Usuários de Software Livre do São Paulo [GUSLISP] e apoio do
Serviço Federal de Processamento de Dados [SERPRO],
Inscrições: www.flisol.org.br
Informações: (11) 3051-3420 ou (11) 3887-4866, ramal 29, e-mail
inclusaodigital@oxigenio.org.br.
23/07 e 24/07
Seminário Sexualidade: saúde, direitos e moralidade.
Coordenação: Centro Latino-americano em Sexualidade e Direitos Humanos
e Fundação Ford e será realizado na Local:Capela Ecumênica da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro [UERJ].
Informações e inscrições: no site www.direitos-sexuais.org, pelo
telefone (21) 2619-0800 ou pelos e-mails seminarioclam5anos@fmail.com
ou seminarioclam@ims.uerj.br.
30/07
Seminário "Democratizar a comunicação para democratizar a vida social"
Coordenação: SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia e o
grupo Loucas de Pedra Lilás.
Local: das 8h30 às 18h, no SOS Corpo, na Rua Real da Torre, 593,
Madalena, Recife (PE).
Inscrições: até 23 de julho pelo telefone (81) 3421 5573 ou pelo
e-mail loucas@loucas.org.br.
30/07 e 31/07
Seminário "A Defesa do direito autoral: gestão coletiva e papel do Estado
Coordenação: Ministério da Cultura, faz parte do Fórum Nacional de
Direito Autoral
Local: no Rio de Janeiro (RJ) será no Clube de Engenharia (Av. Rio
Branco, 124, Centro)
Inscrições: pela página www.promodelconection.com.br ou pelos
telefones (61) 3037-6563 e (61) 3037-6564. As vagas são limitadas.
Outras informações podem ser obtidas na Coordenação-Geral de Direito
Autoral do Ministério da Cultura, pelos telefones (61) 3316-2048, com
Edna, e (61) 3316-2269, com Valéria.
31/07
DATA LIMITE inscrições de eventos autogestionados para o III Fórum
Social Américas
Esses eventos serão realizados por organizações, redes, entidades e
movimentos que participarão do fórum.
Local: Universidade de San Carlos, Cidade da Guatemala, de 7 a 12 de
outubro.
Informações sobre o processo de inscrição: no site
www.forosocialamericas.org
01/08/ a 20/08
"Programa Jovens Embaixadores Ambientais"
Coordenação: parceria mundial entre a Bayer e o Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA-ONU), e apoio do Ministério do
Meio Ambiente, da Agência USP de Inovação da Universidade de São Paulo
e da Universia.
Inscrições: www.byee.com.br
06/08 a 08/08
II Conferencia Internacional - "Inovação para o Terceiro Setor:
Sustentabilidade e Impacto Social"
Coordenação: Instituto Wiliam Davidson da Universidade de Michigan e o
CNU - Conversando com as Nações Unidas – Brasil
Local: em São Paulo, no Centro de Convenções do SENAC
Informações : http://www.impactosocial.org.br/2008/abstratos.aspx.
Inscrições: https://wdi.umich.edu/Events/296/Register/
06/08 a 09/08
7ª Mostra de Ação Voluntária - Cidadania e Responsabilidade Social e
1º Congresso Nós Podemos Paraná,
Coordenação: Centro de Ação Voluntária de Curitiba
Local: Curitiba (PR).
Informações: com Andressa Grilo, assessora de comunicação do Centro de
Ação Voluntária de Curitiba, pelo telefone (41) 3322-8076, ramal 21,
pelo e-mail comunicacao@acaovoluntaria.org.br ou nas páginas
www.acaovoluntaria.org.br e www.mostradeacaovoluntaria.org.br.
19/08 a 20/08
Com:Atitude, Seminário de Atitude de Marca
Local: Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo.
Confirmada a participação filósofo Gilles Lipovetsky, autor de obras
como A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efêmero, entre outros.
Programação e inscrições: pelo site www.comatitude.com.br ou pelo
telefone (11) 2818-5030
21/08 a 23/08
Congresso Internacional "Educação para surdos – bilingüismo: práticas
e perspectivas".
Coordenação:Escola para Crianças Surdas Rio Branco, mantida pela
Fundação de Rotarianos de São Paulo
Local: Granja Viana (Rodovia Raposo Tavares, 7.200, auditório do
Colégio Rio Branco, Cotia, SP).
Informações: pelo telefone (11) 4613-8478.
26/08
Workshop de Responsabilidade Social
Coordenação: Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM)
Local: 7h30h às 18h, em São Paulo, na sede da ABM, na r.Antonio
Comparato, 218, Campo Belo.
Informações e inscrições:
www.abmbrasil.com.br/seminarios/responsabilidade/2008.
16/09 a 20/09
VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire
Inscrições de trabalhos: www.forumpaulofreire.org
Serviço: Globalização, Educação e Movimentos Sociais: 40 anos da
Pedagogia do Oprimido
Local: PUC-SP l Rua Monte Alegre, 984 l Perdizes l São Paulo l SP l
Brasil.
12/11 a 19/11
13ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico
Coordenação: Petrobras, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional através do Museu de Folclore Edison Carneiro /Centro Nacional
de Cultura Popular, do MINC e do SESC-RJ
Local: Rio de Janeiro
Inscrições de trabalhos audiovisuais são feitas no site do evento.
25/11 a 28/11
3° Congresso Mundial sobre Enfrentamento à Exploração Sexual de
Crianças e Adolescentes
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Coordenação: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência
da República (SEDH/PR) , Articulação Internacional contra
Prostituição, Pornografia e Tráfico de Crianças e Adolescentes (ECPAT)
do Brasil e Internacional; Unicef Brasil e Internacional; e NGO Brasil
e Internacional
Informações : (61) 3429-9805 e 3429-3498. imprensa@sedh.gov.br
www.sedh.gov.br
15/12 a 18/12
11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos
Local: Brasília/DF
Coordenação: Secretaria Especial de Direitos Humanos
Informações: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/
sobre/progacoes/xicndh/
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Márcia Neves: http://marcianeves.blogspot.com/
Maximiliano - O Chow Chow: http://maximilianoochowchow.blogspot.com/
Adote um CHOW CHOW sem lar: http://adoteumchowchow.blogspot.com/
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Social no Brasil www.marketingsocialnobrasil.hpg.com.br
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*Márcia Neves - Jornalista, formada em Comunicação Social,
especialista em Gestão Estratégica e Qualidade, MBA em Administração
de Marketing, autora dos livros "Consumo Consciente"(2003), "O Novo
Mercado – Do Social ao Ambiental"(2002), e"Marketing Social no
Brasil"(2001), todos
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FINAL DESSA EDIÇÃO
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Teste: Você é um dono responsável?
contra a mercantilização de vidas humanas ou não-humanas, sendo assim, questiono certos aspectos do próprio teste, mas já é um começo! Segue o teste...
Teste: Você é um dono responsável?
Responda o questionário e confira o seu perfil no final. Anote quantas respostas vermelhas e verdes você terá.
1. Se você decidisse comprar um cão, procuraria informações sobre a raça, tamanho quando adulto e temperamento? Você agiu assim quando comprou o seu amigão?
verdes - sim
vermelhas - não ("Procuraria um filhote bem bonitinho")
Antes de comprar um cão, é importante saber as particularidades sobre a raça (pelagem, tosa, etc.) e se você terá tempo para cuidar dele. Procure saber o tamanho que o cão terá quando adulto. Será que há espaço suficiente para criá-lo em sua casa? Pergunte sobre o temperamento dos pais para não comprar um cão que possa se tornar agressivo.
2. Seu cachorro passa o dia sozinho, na corrente ou preso no canil?
Verdes - não
vermelhas - sim ("Não tenho tempo para ele." ou "Quero que ele seja um bom cão de guarda.").
Se a sua resposta foi SIM, não estranhe se ele se tornar uma "fera" ou um animal que avança em pessoas ou em outros cães. O cão, desde filhote, tem que se socializar, ter contato com as pessoas da família, com outros cães e passear na rua (após a vacinação). Todo o cão precisa da companhia do dono, exercícios e brincadeiras.
3. Quando você leva seu cão à rua para um passeio, utiliza coleira e guia?
verdes - SIM
vermelhas - NÃO ("Ele sabe andar sozinho.")
Se você responder NÃO, há grandes chances de seu cão ser atropelado, de atacar ou ser atacado por um outro cão, de morder alguém, e de você ser multado, já que a guia é de uso obrigatório por lei. Se o seu cão é pequeno ou médio, e de bom temperamento, use guias extensoras para maior segurança.
4. Você alimenta seu cão com restos de comida?
verdes - NÃO, ofereço alimento próprio para cães (ração).
vermelhas - SIM ("Ele adora e não aceita ração")
O melhor alimento para os cães é a ração que, além de deixar os cães mais saudáveis, deixam as fezes sempre consistentes. Acostumando o animal desde filhote, ele aceitará a ração sem problemas. Existem rações úmidas (em latinha) para aqueles cães que não aceitam ração seca.
5. Você vacina seu cão anualmente contra todas as doenças de cães e a raiva?
verdes - SIM
vermelhas - NÃO ("Quando muito, dou a vacina da raiva na campanha")
Além de vacinar o cão contra a raiva, você deve vacinar seu cão todo o ano contra as doenças mais comuns em cães como parvovirose, cinomose e outras, a partir de 60 dias de idade. Se a vacina não for feita anualmente, sair na rua com seu cão é um risco muito grande.
6. Caso seu cão seja de guarda, você toma medidas de segurança como manter o portão fechado, muros altos, placas de advertência e prender o cachorro quando abrir a garagem para sair?
verdes - SIM
vermelhas - NÃO ("Ele não sai.")
Se você respondeu NÃO, saiba que essa imprudência é a maior causadora de acidentes com cães de guarda. Cães podem escapar ou fugir. Se passar uma pessoa correndo, se alguém gritar na rua ou passar uma bicicleta, se ele vir um outro cão ou um gato, pode sair e atacar. Se o seu cão morder alguém por negligência sua, você responderá civil e criminalmente pelos danos que ele causar. Pense nisso...
7. Você recolhe as fezes do seu cão das ruas?
verdes - SIM
vermelhas - NÃO ("Tenho vergonha, acho que as pessoas vão rir de mim" ou "Ninguém cata, por que eu vou catar?")
Além de sujar as ruas, as fezes de cães podem transmitir viroses e vermes a outros cães. Seu cão pode adoecer! Sujar é mais vergonhoso do que catar. Se todos colaborarem, as ruas ficam mais limpas e os cães terão menos riscos de contraírem doenças na rua.
8. Quando seu cão adoece, você tenta tratá-lo com remédios que tem em casa antes de levá-lo ao veterinário?
verdes - NÃO
vermelhas - SIM ("Eu pergunto o que dar para o atendente do pet shop" ou "Veterinário é muito caro, só em último caso.")
Muitas doenças têm sintomas parecidos e é preciso conhecimento para diagnosticar e indicar o medicamento certo. Dando remédios receitados por leigos, você "mascara" os sintomas, dificulta o trabalho do veterinário e atrasa o início do tratamento. Em casos graves, essa pode ser a diferença entre salvar seu cão ou perdê-lo...
9. Na hora de acasalar, você procura orientação do veterinário?
verdes - SIM
vermelhas - NÃO ("Cachorro sabe fazer tudo sozinho, não precisa de ajuda")
Você sabia que existem animais que não devem acasalar por causa de doenças genéticas? Além disso, a cadela deve ser preparada antes do acasalamento para que a ninhada seja saudável e ela não corra riscos durante o parto.
10. Seu cão possui um abrigo nos dias de chuva e frio?
verdes - SIM
vermelhas - NÃO ("Cachorro tem pêlo, não sente frio")
Cães sentem frio como qualquer animal de sangue quente, podem se resfriar e até ter pneunomia. É dever do dono oferecer uma casinha ou abrigo para o animal em dias de chuva e frio, principalmente para os animais que vivem em quintais.
RESULTADO
Se você teve todas as respostas VERDES , considere-se um dono responsável. Parabéns, todos deveriam agir como você!
Se você teve algumas poucas respostas VERMELHAS , terá que repensar algumas posturas suas como proprietário, mas está no caminho certo.
Se você teve a maioria das respostas VERMELHAS (claro que esse não deve ser o seu caso), questione-se porque você comprou um cão. Ter um animal de estimação requer cuidados e exige responsabilidade do proprietário. Pense nisso!
Estamos evoluindo/ involuindo

Desculpem a demora para postar...
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Agência O Globo - Publicado em 08/06/2008
Ibama multa rapaz que bateu em cachorro
Poodle teve uma das patas quebradas e precisou passar por uma cirurgia para ter uma placa de metal instalada na tíbia
O jovem Patrick De Meauntroux, de 18 anos, foi multado em R$ 2 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, e irá responder a processo na Justiça por ter agredido com tapas e pontapés Bob, seu cachorro poodle, de cor preta. A cena ocorreu no fim da tarde de quinta-feira, em Brasília.
O jovem começou a bater no cão e escapou de apanhar de populares que assistiam a tudo e estavam revoltados com o comportamento do rapaz. Patrick acabou fugindo e coube à sua namorada levar o animal para uma clínica veterinária, onde chegou todo machucado, com uma das patas quebradas e problemas na bacia. Bob passou por uma cirurgia, e foi instalada uma placa de metal na sua tíbia. Na sexta-feira, ele passou o dia tomando soro e foi submetido a radiografias.
A agressão ao cachorro indignou as pessoas que viram a cena. Alguns dos passantes gritaram com o garoto e resolveram chamar a polícia para impedir que ele continuasse batendo no cachorro.
Goiás
Depois da confusão, Patrick teria viajado às pressas para o interior de Goiás. Fiscais do Ibama chegaram à casa em que ele mora, na Super Quadra 410, no bairro Asa Sul, e não o encontraram mais.
Patrick reapareceu ontem e foi autuado pelo coordenador de Fiscalização de Fauna do Ibama, Antônio Paiva Ganme. Ele recebeu o aviso da multa ambiental e tem o prazo de vinte dias a partir de agora para recorrer ou para efetuar o pagamento. O Ibama ainda afirmou que entrará com uma representação legal contra Patrick no Ministério Público Federal e o jovem pode vir a responder a processo com base na Lei de Crimes Ambientais.
O artigo 32 prevê, além da multa, pena de prisão de três meses a um ano para quem praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados.
O cachorro, agora, está em poder do Ibama. Patrick, a princípio, quando foi perguntado, chegou a negar a agressão e disse que pisou sem querer no animal. Depois, admitiu aos fiscais do Ibama que perdeu a cabeça e não entendia a razão de ter agido com tanta violência.
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JB Online - Quarta, 15 de fevereiro de 2006, 10h35
Motorista arrasta cão preso a pára-choque do carro
O motorista José Luiz Coelho, preso depois de ter arrastado por 6 km um cachorro amarrado no pára-choque de um Voyage, responderá por crueldade contra animais. Ele foi detido pela polícia depois de ter sido denunciado por moradores de Itajaí (SC), município distante cerca de 100 km de Florianópolis, no último sábado.
Segundo a delegada Honorata Cachoeira, testemunhas contaram que o cachorro estava com uma corda amarrada no pescoço e preso no pára-choque do veículo. O animal foi arrastado entre os bairros Cordeiros e São Vicente.
O veterinário Sérgio Wawginiak, que socorreu o cachorro, disse que o animal apresenta "lacerações em todas as almofadas das patas e não consegue andar". Ele disse que as lacerações provocaram hemorragia interna no cachorro, que estava com os olhos avermelhadas devido à corda amarrada no pescoço. "Ele estava sendo enforcado", disse o médico.
O motorista disse que o cachorro estava no porta-malas do automóvel, de onde caiu. A polícia não acredita na versão do motorista, que foi alertado por várias pessoas que protestavam diante da cena. O cachorro tem cerca de 6 anos e não tem raça definida.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
UIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIhhhhhhhhhhhhhhh UaUAUauA
Fonte: JB Online - o primeiro jornal brasileiro na internet - 01/06/2008
Estudo da Ernst & Young mostra que o veganismo está entre os 10 maiores problemas que afetam as vendas de um produto
Valeska Velloso, advogada de 32 anos, moradora de Ipanema, lê o rótulo de qualquer produto novo antes de usar. Na dúvida, liga para a empresa. Se houver um único item de origem animal, Valeska avisa à atendente que lamenta mas não voltará a comprar o produto enquanto a substância constar na composição. Valeska é uma típica radical greening, consumidor detectado pelo estudo Os 10 maiores riscos para os negócios, da consultoria Ernst & Young.
Na pesquisa, os verdes radicais e suas exigências socioambientais são ao mesmo tempo ameaça à fartura nas vendas e demanda por mudanças estruturais em fórmulas e linhas de produção. Conforme a capacidade de cada empresa em se adequar às suas exigências, este cliente meticuloso deixa de ser risco para se tornar oportunidade de ampliar o negócio, como já perceberam inúmeras companhias que estão apostando na reformulação de seus produtos para ampliar o leque de consumidores.
O estudo entrevistou mais de 70 analistas em todo mundo para identificar as novas tendências e incertezas dos negócios nos próximos cinco anos. Foram analisados 12 setores da economia – automotivo, bancos, mercado de capitais, biotecnologia, bens de consumo, seguro, mídia e entretenimento, óleo & gás, farmacêutico, imobiliário, telecomunicações e utilidades.
O resultado foi uma lista com os 10 maiores riscos para os negócios, na qual os verdes radicais ocupam a nona posição. Entre as áreas pesquisadas, três se mostraram mais vulneráveis aos ambientalistas: óleo & gás, automobilismo, mercado de capitais, utilidades (indústria de transformação) e imobiliário. Mas a cobrança tem caráter restrito.
– É uma tendência irreversível, que faz aumentar o consumo de alimentos orgânicos e sucos naturais, busca carros mais econômicos, prioriza eletrodomésticos com menor consumo de energia e vê com reticências o álcool brasileiro se ele vier da Amazônia – diz Joel Bastos, diretor de sustentabilidade da Ernst & Young.
– Assim que descobrimos que um produto contém componente animal, avisamos a toda comunidade vegana, seja pela Internet e no boca-a-boca – diz Valeska, que divulga ainda o que sabe ao público da feira de produtos orgânicos que acontece aos sábados no bairro da Glória. – Também escrevemos para os serviços de atendimento ao consumidor (SAC) das empresas, cobrando o fim dos testes em animais e acompanhamos se estão tomando providências.
Segundo Valeska, o objetivo dos veganos não é renunciar ao consumo, mas exigir novas práticas.
– Queremos que adotem posturas mais éticas, porque o problema com os animais envolve todo o meio ambiente.
Mas, em muitos casos, pela restrição das opções do mercado, os veganos acabam optando por empresas que não se alinham totalmente com sua filosofia.
– Como é muito difícil encontrar empresas 100% veganas, ou seja que só comercializam produtos vegetais e não fazem testes em animais, optamos por corporações amigas dos veganos, com produtos 100% vegetais e que não pratiquem testes – diz a funcionária pública federal Anna Marcia, de 28 anos, moradora da Tijuca.
Vegana há cinco anos, a funcionária pública Laura Kim Barbosa, de 36 anos, percebe uma evolução na oferta de produtos nos últimos dois anos.
– Agora tem doce de leite, chocolate, linguiça e até salsicha.
Otimismo
Mas a opção não é consenso. – Tento minimizar meu incentivo de consumidor de produtos de empresas que mantêm práticas abusivas contra os animais – diz David Turchick, economista de 25 anos que mora em São Paulo. – Acho que nosso foco deve ser o público, não as empresas, porque produzem para atender à demanda. Mas sou otimista. Acho que o movimento pelo direito dos animais é uma luta que se vence neste século.
Segundo o levantamento da Ernst & Young, a busca não é exclusiva dos veganos nem do Brasil.
– Há tendências apontadas como a busca por imóveis que priorizam a economia de energia e de água e bens de consumo fabricados e utilizados com respeito ao meio ambiente entre outros – diz Bastos.
Para ele, um dos pontos mais importantes do levantamento é o que mostra o risco como o embrião da oportunidade.
– As dificuldades que as empresas teriam estão diretamente relacionadas à capacidade de alterar seus produtos ou meios de produção de tal forma que possam atender aos ‘novos’ consumidores – completa.
Leda Rosa
São Paulo
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Para o dia Meio Ambiente não passar em branco
15 JUN 2003
TV Cultura
O programa 'Expedições' o qual apresentou parte de uma entrevista feita com o grande brasileiro, sertanista e patriota Orlando Villas Boas, falecido em dezembro de 2002.
Na reportagem ele, Villas Boas, falou:
'Os americanos levaram para os EUA 15 chefes ianomamis, tanto brasileiros como venezuelanos, para lá aprenderem o inglês e serem treinados 'politicamente', para que ao retornarem criem um contencioso internacional com o objetivo de fazer com que a 'comunidade internacional' declare a
criação de um Estado 'Indio', tutelado pelos EUA, cujo território seria delimitado pelas áreas das atuais reservas ianomamis no Brasil e na Venezuela.
Vocês pensam que eles fazem isto por amor aos ianomamis? Não, é porque em
Roraima estão as maiores reservas de urânio do mundo. Eu, provavelmente, não viverei para ver isto, mas vocês, com certeza, testemunharão.'
ORLANDO VILLAS BOAS
Fonte: Centro de Mídia Independente - Brasil
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Ianomâni! Quem? I e II
ROBERTO GAMA E SILVA
Quinta, 05 de junho de 2008
Diário de Cuiabá
Nos tempos da infância e da adolescência que passei em Manaus, minha cidade natal, nunca ouvi a mais leve referência ao grupamento indígena denominado "Ianomâmi", nem mesmo nas incursões que fiz ao território, acompanhando o meu avô materno, botânico de formação, na sua incessante busca por novas espécies de orquídeas. Tinha eu absoluta convicção sobre a inexistência desse grupo indígena, principalmente depois que aprendi que a palavra "ianomâmi" era um nome genérico aplicado ao "ser humano".
Recentemente, caiu-me nas mãos o livro "A Farsa Ianomâmi", escrito por um oficial do Exército brasileiro, de família ilustre, o Coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto. Credenciava o autor do livro a experiência adquirida em duas passagens demoradas por Roraima, a primeira, entre 69 e 71, como Comandante da Fronteira de Roraima, 2º Batalhão Especial de Fronteira, a segunda, quatorze anos depois, como secretário de Segurança do antigo Território Federal.
Menna Barreto procurou provar que os "ianomâmis" haviam sido criados por alienígenas, com o intuito claro de configurar a existência de uma "nação" indígena espalhada ao longo da fronteira com a Venezuela. Para tanto citou trechos de obras publicadas por cientistas estrangeiros que pesquisaram a região na década iniciada em 1910, notadamente o alemão Theodor Koch-Grünberg, autor do livro "Von Roraima zum Orinoco, reisen in Nord Brazilien und Venezuela in den jahren 1911-1913.
Embora convencido pelos argumentos apresentados no livro, ainda assim continuei minha busca atrás de uma personalidade brasileira que tivesse cruzado a região, em missão oficial do nosso governo, e que tivesse deixado documentos arquivados na repartição pública de origem. Aí, então, não haveria mais motivo para dúvidas.
Definido o que deveria procurar, foi muito fácil selecionar o nome de um dos "Gigantes da Nacionalidade", embora pouco conhecido pelos compatriotas de curta memória: Almirante Braz Dias de Aguiar, o "Bandeirante das Fronteiras Remotas". Braz de Aguiar, falecido em 17 de setembro de 1947, ainda no cargo de "Chefe da Comissão Demarcadora de Limites - Primeira Divisão" prestou serviços relevantes ao país durante 40 anos corridos, sendo que destes, 30 anos dedicados à Amazônia, por ele demarcada por inteiro. Se, nos dias correntes, o Brasil já solucionou todas as pendências que recaíam sobre os 10.948 quilômetros que separam a nossa maior região natural dos países vizinhos, tudo se deve ao trabalho incansável e competente de Braz de Aguiar, pois de suas observações astronômicas e da precisão dos seus cálculos resultaram mais de 500 pontos astronômicos que definem, juntamente com acidentes naturais, essa longa divisória.
Todas as campanhas de Braz de Aguiar foram registradas em detalhados relatórios despachados para o Ministério das Relações Exteriores, a quem a Comissão Demarcadora era subordinada. Além desses relatórios específicos, Braz de Aguiar ainda fez publicar trabalhos detalhados sobre determinadas áreas, que muito contribuíram para desvendar os segredos da Amazônia. Um desses trabalhos denominado "O Vale do Rio Negro", classificado pelo Chefe da "Comissão Demarcadora de Limites - Primeira Divisão" como um subsídio para "a geografia física e humana da Amazônia", foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores no mês de janeiro de 1944, trazendo no seu bojo a resposta definitiva à indagação "ianomâmi! Quem?
No tocante às tribos indígenas do Vale do Rio Negro, incluindo as do tributário Rio Branco, afirma o trabalho que "são todas pertencentes às famílias Aruaque e Caribe, sem aludir à existência de alguns povos cujas línguas se diferenciam profundamente das faladas pelas duas coletividades citadas". Prossegue o autor: "Tais povos formam as chamadas tribos independentes, que devem ser consideradas como restos de antigas populações cuja liberdade foi grandemente prejudicada pela ação opressora de vizinhos poderosos". Também os índios "Tucanos" constituem uma família a parte, complementa o trabalho. Dito isto, a obra cita os nomes e as localizações das tribos aruaques no Vale do Rio Negro, em número de treze, sem que da relação conste a pretensa tribo "Ianomâmi". Em seguida, foram listadas as tribos caribes, bem como a sua localização: ao todo são sete as tribos, também ausente da relação o nome "Ianomâmi".
Dentre as chamadas tribos independentes do Rio Negro, em número de cinco, também não aparece qualquer citação aos "Ianomâmis". Para completar o quadro, a obra elaborada por Braz de Aguiar ainda faz menção especial ao grupo "tucano", pelo simples fato de compreender quinze famílias, divididas em três ramos: o oriental, que abrange as bacias dos rios Uaupés e Curicuriari; a ocidental, ocupando as bacias do Napo, Putumaio e alto Caquetá e o setentrional localizado nas nascentes do rio Mamacaua.
Os "Ianomâmis" também não apareceram entre os "Tucanos". Para completar a listagem dos povos da bacia do Rio Negro, a obra ainda faz menção a uma publicação de 1926, composta pelas "Missões Indígenas Salesianas do Amazonas", que descreve todas as tribos da bacia do RIO NEGRO sem mencionar a existência dos "Ianomâmis". Assim sendo, pode-se afirmar, sem medo de errar, que esse povo "não existiu e não existe" senão nas mentes ardilosas dos inimigos do Brasil.
Menna Barreto e outras fontes fidedignas afirmam que coube a uma jornalista romena, Claudia Andujar, mencionar, pela primeira vez, em 1973, a existência do grupo indígena por ela denominado "Ianomâmi", localizado em prolongada faixa vizinha à fronteira com a Venezuela. Interessante ressaltar que a jornalista que "inventou" os "Ianomâmis" não agiu por conta própria, mas inspirada pela organização denominada "Christian Church World Council" sediada na Suíça, que, por seu turno, é dirigida por um Conselho Coordenador instruído por seis entidades internacionais: "Comitê International de la Defense de la Amazon"; "Inter-American Indian Institute"; "The International Ethnical Survival"; "The International Cultural Survival"; "Workgroup for Indigenous Affairs" e "The Berna-Geneve Ethnical Institute".
Releva, ainda, destacar o texto integral do item I, das "Diretrizes" da organização referentes ao BRASIL: "É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus habitantes aborígenes, para o seu desfrute pelas grandes civilizações européias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crítico".
Ficam assim bem caracterizadas as intenções colonialistas dos membros do "Christian Church World Council", ao incentivarem a "invenção" dos Ianomâmis e a sua localização ao longo da faixa de fronteiras. Trata-se de iniciativa de fé púnica, como soe ser a artificiosa invenção de um grupo étnico para permitir que estrangeiros venham a se apropriar de vasta região do Escudo das Guianas, pertencente ao Brasil e, provavelmente, rica em minérios. O ato se reveste de ilegitimidade passiva e de impossibilidade jurídica. Sendo, pois, um ato criminoso, a criação de "Reserva Ianomâmi" deve ser anulada e, em seguida, novo estudo da área deverá ser conduzido para o possível estabelecimento de novas reservas, agora descontínuas, para abrigar os grupos indígenas instalados na mesma zona, todos eles afastados entre si, por força do tradicional estado de beligerância entre os grupos étnicos "Aruaques" e “Caribes”.
Outras providências legais devem ser adotadas, todavia, para enquadrar os "zelosos" funcionários da Funai que se deixaram enganar e os "competentes" servidores do Ministério da Justiça que induziram o Ministro da Pasta e o próprio Presidente da República a aprovarem a decretação de reserva para um grupo indígena inexistente. Sobre estes últimos poderia ser aplicada a "Lei de Segurança Nacional", artigos 9 e 11, por terem eles contribuído para um futuro seccionamento do território nacional e um possível desmembramento do mesmo para entrega a outro ou outros estados. Libertas Quae Sera Tamen!
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IstoÉ - 28/5/2008
Capa
Amazônia a soberania está em xeque
Avançam na comunidade mundial as propostas para a internacionalização do maior tesouro verde do Brasil. Uma resposta urgente se faz necessária!
Por OCTÁVIO COSTA Colaboraram: Cláudio Camargo, Luciana Sgarbi e Luís Pellegrini
| CONTROLE Exército e Ibama agem contra desmatamento ilegal feito pelas madeireiras |
À primeira vista pode parecer fruto da imaginação de um jornalista estrangeiro, sem maiores compromissos, que acaba de desembarcar no Brasil. Mas seria muita ingenuidade acreditar que o conceituado jornal americano The New York Times abrisse espaço para seu correspondente baseado no Rio de Janeiro, sem que tivesse um objetivo editorial de maior alcance. Sob o título “De quem é a Amazônia, afinal?”, o texto assinado por Alexei Barrionuevo na edição do domingo 18 veio engrossar o coro internacional que tem questionado a soberania do Brasil sobre a Amazônia. Barrionuevo dá seu recado logo no início, quando cita um comentário do então senador americano Al Gore em 1989 (depois ele foi vice do presidente Bill Clinton em duas gestões): “Ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é propriedade deles, pertence a todos nós.” Três dias antes de o The New York Times publicar seu artigo, o jornal inglês The Independent, noticiando o pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi quem deu plantão sobre a Amazônia. E sem o menor pudor: “Uma coisa está clara. Essa parte do Brasil (a Amazônia) é muito importante para ser deixada com os brasileiros.” O que fica claro, diante das notícias de Nova York e Londres, é que a Amazônia corre grave ameaça. A ofensiva dos dois jornais não é gratuita e já passou a hora de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar uma decisão forte, que ecoe para todo o mundo, de forma inquestionável, a certeza de que a Amazônia é nossa.
A cobiça de potências estrangeiras não é surpresa e tudo começa pela extensão territorial. A Amazônia Legal se estende por nove Estados e ocupa 61% do território brasileiro – sua área equivale à metade do continente europeu e nela cabem 12 países, incluindo Alemanha e França. Ela seria, assim, o sexto maior país do mundo, com uma população de 20 milhões de pessoas. A região faz fronteira de 11 mil quilômetros com Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. O rio Amazonas é o soberano da Terra em volume de água e possui um quinto da água doce do planeta. Segundo avaliações da ONU, o século 21 será marcado por graves conflitos entre as nações, com origem numa única causa: a escassez de água potável. É isso que torna a Amazônia ainda mais estratégica, pois em seus rios estão 21% da água doce vital ao homem. Em seu livro A guerra do amanhã, o assessor para assuntos estratégicos da ONU, Pascal Boniface, previu, entre os cenários de guerras desse século provocadas pelo aquecimento global, a provável invasão da região amazônica por uma coligação internacional. A ação contra a soberania brasileira se justificaria porque “salvar a Amazônia é o mesmo que salvar a Humanidade”. O francês Pascal Lamy, ex-comissário de Comércio da União Européia, é da mesma opinião: “As florestas tropicais como um todo devem ser submetidas à gestão coletiva, ou seja, à gestão da comunidade internacional.”
Como ressalta o The Independent, a Amazônia é uma poderosa reserva de recursos naturais. O diário espanhol El País também destaca que “o mundo tem os olhos postos nas riquezas da floresta”. É por isso que a soberania brasileira é questionada. O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, prefere não levar a sério o The New York Times e desqualifica a idéia de internacionalizar a região: “Quem faz uma proposta dessas deveria passar por uma requalificação psicológica, tal o disparate que contém. Os donos da Amazônia somos nós.” Por mais que o ministro tente reduzir a importância das ameaças, o fato, no entanto, é que os estrangeiros se sentem donos da região há muitos anos. Em 1862, logo após a vitória da União na Guerra Civil americana, o presidente Abraham Lincoln sugeriu a representantes dos negros libertados a criação de um Estado Livre na Amazônia. Dom Pedro II não foi consultado, mas o Brasil foi salvo pelos dirigentes negros que deram uma resposta boa e seca a Lincoln: “Não aceitamos a proposta porque este país também é nosso.” Ainda no Segundo Reinado, o comandante Matthew Maury, chefe do Observatório Naval de Washington, defendeu a livre navegação internacional pelo rio Amazonas. Cem anos depois, o urbanista e futurista americano Herman Kahn teve a idéia de inundar a região num sistema de grandes lagos, com as dimensões do Estado de São Paulo, para permitir a navegação até as minas da Bolívia, do Peru e da Venezuela, fornecedoras de matéria-prima para as indústrias metalúrgicas dos EUA. Em troca o Brasil receberia uma hidrelétrica gigantesca.
| MOTOSSERRA Ação desordenada na floresta serve de argumento para estrangeiros: o problema é do Brasil, e não deles |
Planos para a Amazônia não faltam. Em algumas escolas americanas já circulam mapas que mostram o Brasil extirpado dessa região e do Pantanal. Metendo o nariz na vida alheia, os que questionam nossa soberania justificam o ato alegando que o Brasil tem de ser punido por má gestão. Somos acusados, por exemplo, de não conseguirmos deter o desmatamento. Segundo o instituto inglês Stern, esse é o melhor e mais barato caminho para estancar o aquecimento global. A queima de florestas, por um dia, emite mais dióxido de carbono do que vôos de oito milhões de pessoas entre Londres e Nova York. Daí, a imensa responsabilidade do Brasil. Durante a Sessão Especial da ONU sobre Meio Ambiente, em junho de 1997, o presidente americano Bill Clinton exigiu a redução significativa de gás carbônico e disparou veementes críticas aos países que não impediam a queimada em suas florestas. Para não ficar apenas em palavras, Clinton chegou a desmarcar um encontro com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, pois preferiu viajar para a Califórnia, onde se reuniria com prefeitos locais. A questão do desmatamento não deixa de ser um argumento dos que querem internacionalizar a floresta, até mesmo porque os últimos levantamentos do Inpe acusam aumento de áreas queimadas, como revelou Minc na quarta-feira 21. Mas é óbvio que os estrangeiros não são movidos apenas por boas intenções. Muito além das queimadas e da poluição, eles estão de olho é nas incomensuráveis riquezas da Amazônia.
Felizmente, o Exército brasileiro está consciente do perigo. E diz estar preparado até mesmo para a possibilidade mais radical de uma intervenção militar. “Hoje, a Amazônia é nosso maior foco de preocupações com a segurança”, disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, em recente entrevista em Brasília. Em sua avaliação, uma hipótese potencial seria a de “uma guerra assimétrica na Amazônia, ou seja, uma guerra contra uma potência muito superior, que nos forçaria a uma guerra de resistência nacional”. Outro cenário, segundo Unger, incluiria a ação militar de um país vizinho patrocinado por uma grande potência, bem como incursões de forças irregulares ou paramilitares. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não vê um risco imediato, mas ressalta que, apesar de não sermos beligerantes, saberemos nos defender: “Não há nenhum país ameaçando o Brasil, mas precisamos de uma força dissuasiva para remover a possibilidade de que aconteça uma invasão.” Ou seja, pelo sim, pelo não, as Forças Armadas têm se preparado para a pior hipótese. Além de renovar seu armamento, vêm reforçando suas unidades na região com transferência de tropas do Sul para o Norte. “Os militares projetam um conflito futuro, para daqui a 30 ou 40 anos, com um inimigo mais provável, os Estados Unidos”, diz o cientista político Paulo Ribeiro Rodrigues da Cunha, da Unesp. “Não devemos ser paranóicos, mas muito menos devemos ser ingênuos”, conclui ele, tecendo elogios à movimentação das Forças Armadas.
A maioria dos especialistas sustenta que a intervenção militar é uma possibilidade remota. Esse é o caso do coronel da reserva Geraldo Lesbat Cavagnari Filho, fundador e pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp. Ele descarta o conflito e a conspiração com o objetivo de internacionalizar a Amazônia, mas alerta que isso não justifica nenhuma “negligência da defesa militar nesse possível teatro de operações”. E a defesa, a seu ver, não se reduz à dimensão das armas: “Ela abrange, também, a defesa do meio ambiente e das comunidades indígenas, assim como a interceptação do tráfico de drogas e do contrabando de minérios e madeiras.” Nessa linha, o general Carlos de Meira Mattos, falecido em janeiro de 2007, fez pouco da teoria da soberania compartilhada, mas recomendou ao Estado brasileiro demonstrar forte e inabalável decisão de não aceitar a violação de seus direitos. Além da ofensiva diplomática, o Brasil, recomendava Meira Mattos, deve revelar notória capacidade de administrar a Amazônia, “desenvolvendo eficiente política autosustentável que preserve a natureza, proteja suas águas e otimize o seu povoamento”.
| AÇÃO ORQUESTRADA É ingenuidade crer que as publicações no Exterior não apontem para o risco de internacionalização da Amazônia |
As tarefas do Estado brasileiro, portanto, estão mais do que assinaladas. E são urgentes. O melhor meio de enfrentar ameaças à soberania nacional é se fazer presente na região. Isso significa, em primeiro lugar, adotar uma política menos complacente em relação às inúmeras ONGs que atuam na Amazônia. Misturam- se ali raras organizações internacionais de mérito reconhecido em defesa da ecologia e dos direitos humanos com inúmeras entidades inidôneas e de finalidade incerta e não sabida. Na verdade, estão atrás das riquezas e da biodiversidade. Há que impedir essa invasão camuflada de objetivos ecológicos e humanitários. Basta lembrar que 96% das reservas mundiais de nióbio encontram-se na Amazônia e a região também é alvo da chamada biopirataria por parte de laboratórios que buscam patentes inéditas para seus medicamentos. O governo tem procurado se informar sobre os desvios de rota das ONGs e promete adotar regulamentos mais rígidos nas permissões de acesso à floresta. As autorizações passarão pelo crivo dos órgãos da Defesa. Segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., o objetivo é separar o joio do trigo. “Não serão criados obstáculos para as ONGs respeitadas”, diz ele.
Em sua explosiva reportagem, o The New York Times comete o exagero de comparar as novas exigências que serão feitas às ONGs aos tempos da Guerra Fria, quando determinadas áreas da ex-União Soviética eram vedadas a estrangeiros. Diz o jornal que, assim, o Brasil pode terminar como ela. A comparação é tão estapafúrdia quanto a proposta de internacionalizar a Amazônia por se tratar de “um patrimônio da Humanidade”. Só encontra paralelo nas versões que correm em círculos intelectuais europeus e americanos de que o Brasil estaria patrocinando um “pavoroso extermínio de seus índios”. Sob essa alegação, muitas ONGs de fachada defendem com unhas e dentes a política indigenista em vigor, que premiou algumas tribos com territórios maiores do que o de países europeus. A essas ONGs interessa que o Estado brasileiro não tenha domínio político sobre as extensas áreas ocupadas pelos indígenas, sobretudo porque são territórios de riqueza desconhecida – e é mais fácil aos estrangeiros que nos cobiçam tecer nebulosos negócios com os índios. É também por isso que é urgente modificar a atual política de demarcação de terras, uma vez que, se ela continuar como está, índios e ONGs ocuparão cada vez mais o território nacional. Assim, lamentavelmente, muito antes de enfrentar invasores externos, o Brasil terá de invadir uma porção do próprio Brasil para reaver a integridade de seu chão.
Muita terra para pouco índio
Era para ser mais um debate sobre os impactos ambientais da construção da hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu. De repente, o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende foi cercado e agredido a golpes de facão por vários índios caiapós, que participavam do evento em Altamira, no Pará. Rezende foi ferido no braço e teve a camisa rasgada. Os caiapós ficaram irritados com suas críticas ao ambientalista e professor da Unicamp Osvaldo Sevá. Daí a agressão que chocou o País na noite da terça-feira 20. A cena, infelizmente, vem confirmar que a questão indígena saiu do controle das autoridades há muito tempo. Basta ver o que acontece com a política de demarcação de terras. O Estado brasileiro não tem a mínima idéia do que se passa no interior das reservas indígenas. Jamais foi feito um inventário e o patrimônio é desconhecido e intocável. Mais grave ainda: as reservas, em seu total, representam 12,5% de todo o território nacional e estão nas mãos de 534 mil índios distribuídos em 220 povos. Somente em Roraima as 32 áreas em poder de várias etnias somam 103 mil quilômetros quadrados, ou seja, 46% do território estadual.
A extensão das terras dos índios em Roraima é superior à área de um país como Portugal, de 92 mil quilômetros quadrados. Um símbolo maior da distorção na política de demarcação é a reserva Raposa Serra do Sol, que se estende por 17 mil quilômetros quadrados e abriga apenas 18 mil índios, a maioria da etnia macuxi. Sua homologação, em abril de 2005, deu origem a uma batalha judicial que foi parar no Supremo Tribunal Federal. O conflito envolve produtores rurais, moradores da região e até mesmo parte da população indígena, que prefere o desmembramento da imensa reserva em partes menores. Em lugar da homologação contínua, os próprios índios defendem a chamada demarcação na forma de ilhas, muito mais equilibrada e realista.
Não há o que discutir: em Roraima, há muita terra para poucos índios. Por mais que o Estado se disponha a fazer um acerto de contas com o passado, nada justifica as dimensões gigantescas de reservas como a Raposa Serra do Sol. Não faz sentido as nações indígenas se transformarem num Estado dentro de outro. Em várias estradas na Amazônia, os índios chegam a cobrar pedágio e determinar os horários em que os caminhões podem trafegar. Com isso, desmoralizam o governo local e põem em xeque a segurança do País. Em recente palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, o comandante militar da Amazônia, general-de-exército Augusto Heleno Pereira, mesmo sob o risco de ser punido por indisciplina, denunciou os disparates que acontecem na região. “A política indigenista está dissociada da história brasileira e tem de ser revista urgentemente”, afirmou o general Heleno. O general-de-brigada Antônio Mourão, comandante da 2ª Brigada de Infantaria da Selva, apóia integralmente seu colega de farda. “A demarcação contínua coloca a soberania em risco. Daqui a pouco, os índios vão declarar a independência de seus territórios”, adverte Mourão.Uma coisa que irrita os militares é a tendência de se tratar a questão indígena a partir de uma visão romântica, que trata como iguais índios desiguais, em estágios diferentes de civilização. A maior parte dos índios que vivem em Raposa Serra do Sul, por exemplo, é aculturada e não mora mais em malocasperdidas na floresta. Como em muitos casos os militares constituem a única presença de Estado na selva, eles afirmam, com alguma razão, que conhecem os índios melhor do que grande parte dos ambientalistas. Além disso, parece inaceitável a idéia de permitir aos índios autonomia total sobre as parcelas do território brasileiro em que vivem. “No bairro da Liberdade, vai ter japonês e não-japonês? Só entra quem é japonês? Como um brasileiro não pode entrar numa terra porque é uma terra indígena?”, indagou o general Heleno. Os generais estão certos. Mas manda a prudência que eles guardem distância dos facões dos índios caiapós.
AUTONOMIA DEMAIS Índia caiapó atacou com golpes de facão o engenheiro Paulo Rezende, durante discussão sobre a hidrelétrica Belo Monte
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Ups, foi feio, mal e sujo... a outra geração errou, mas eu aprendi!
Comentário de Lidia Marôpo, em 29/4/2008, a respeito do historiador Vitorino Magalhães Godinho que afirma que os europeus "desataram a pedir" desculpas pela escravidão e outros problemas do colonialismo.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
UMA ABORDAGEM CONCEITUAL DAS NOÇÕES DE RACA, RACISMO, IDENTIDADE E ETNIA
IDENTIDADE E ETNIA*
Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP)
Etmologicamente, o conceito de raça veio do italiano razza, que por sua vez veio do latim ratio, que significa sorte, categoria, espécie. Na história das ciências naturais, o conceito de raça foi primeiramente usado na Zoologia e na Botânica para classificar as espécies animais e vegetais. Foi neste sentido que o naturalista sueco, Carl Von Linné conhecido em Português como Lineu (1707-1778), o uso para classificar as plantas em 24 raças ou classes, classificação hoje inteiramente abandonada.
Como a maioria dos conceitos, o de raça tem seu campo semântico e uma dimensão
temporal e especial. No latim medieval, o conceito de raça passou a designar a descendência, a linhagem, ou seja, um grupo de pessoa que têm um ancestral comum e que, ipso facto, possuem algumas características físicas em comum. Em 1684, o francês François Bernier emprega o termo no sentido moderno da palavra, para classificar a diversidade humana em grupos fisicamente contrastados, denominados raças. Nos séculos XVI-XVII, o conceito de raça passa efetivamente a atuar nas relações entre classes sociais da França da época, pois utilizado pela nobreza local que si identificava com os Francos, de origem germânica em oposição ao Gauleses, população local identificada com a Plebe. Não apenas os Francos se considerava como uma raça distinta dos Gauleses, mais do que isso, eles se consideravam dotados de sangue “puro”, insinuando suas habilidades especiais e aptidões naturais para dirigir, administrar e dominar os Gauleses, que segundo pensavam, podiam até ser escravizados. Percebe-se como o conceitos de raças “puras” foi transportado da Botânica e da Zoologia para legitimar as relações de dominação e de sujeição entre classes sociais (Nobreza e Plebe), sem que houvessem diferenças morfo-biológicas notáveis entre os indivíduos pertencentes a ambas as classes. As descobertas do século XV colocam em dúvida o conceito de humanidade até então conhecida nos limites da civillização ocidental. Que são esses recém descobertos (ameríndios, negros, melanésios, etc.)? São bestas ou são seres humanos como “nós”, europeus? Até o fim do século XVII, a explicação dos “outros” passava pela Teologia e pela Escritura, que tinham o monopólio da razão e da explicação. A península ibérica constitui nos séculos XVI-XVII o palco principal dos debates sobre esse assunto. Para aceitar a humanidade dos “outros”, era preciso provar que são também descendentes do Adão, prova parcialmente fornecida pelo mito dos Reis Magos, cuja imagem exibe personagens representes das três raças, sendo Baltazar, o mais escuro de todos considerado como representante da raça negra. Mas o índio permanecia ainda um incógnito, pois não incluído entre os três personagens representando semitas, brancos e negros , até que os
teólogos encontraram argumentos derivados da própria bíblia para demostrar que ele também era descendente do Adão.
No século XVIII, batizado século das luzes, isto é, da racionalidade, os filósofos iluministas contestam o monopólio do conhecimento e da explicação concentrado nas mãos da Igreja e os poderes dos príncipes. Eles se recusam a aceitar uma explicação cíclica da história da humanidade fundamentada na idade de “ouro”, para buscar uma explicação baseada na razão transparente e universal e na história cumulativa e linear. Eles recolocam em debate a questão de saber que eram esses outros, recém descobertos. Assim laçam mão do conceito de raça já existente nas ciências naturais para nomear esses outros que se integram à antiga humanidade como raças diferentes, abrindo o caminho ao nascimento de uma nova disciplina chamada História Natural da Humanidade, transformada mais tarde em Biologia e Antropologia Física.
Por que então, classificar a diversidade humana em raças diferentes? A variabilidade humana é um fato empírico incontestável que, como tal merece uma explicação científica. Os conceitos e as classificações servem de ferramentas para operacionalizar o pensamento. É neste sentido que o conceito de raça e a classificação da diversidade humana em raças teriam servido. Infelizmente, desembocaram numa operação de hierarquização que pavimentou o caminho do racialismo. A classificação é um dado da unidade do espírito humana. Todos nós já brincamos um dia, classificando nossos objetos em classes ou categorias, de acordo com alguns critérios de semelhança e diferença.
Imagine-se o que aconteceria numa biblioteca do tamanho da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Sem classificação por autor e ou por assunto, seria muito complicado a busca de um documento. Com a preocupação de facilitar a busca e a compreensão, parece que o ser humano desde que começou a observar desenvolveu a aptidão cognitiva de classificação. A primeira tentativa consiste em distinguir os seres animados dos inanimados; os minerais dos vegetais e os vegetais dos animais. Entre os animais, não há como confundir um elefante com um leopardo, uma cobra com uma tartaruga. São todos animais, mas porém diferentes. Na história da ciência, a classificação dos seres vivos começa na Zoologia e na Botânica. Era importante encontrar categorias maiores por sua vez subdivididas em categorias menores e subcategorias e assim adiante. Os termos para designar as categorias são como todos os fenômenos lingüísticos convencionais e arbitrários. Assim as principais categorias foram as divisões filo e sub-filo, a classe, a ordem e a espécie. Como homens, pertencemos ao filo dos cordados, ao sub-filo dos vertebrados (como os peixes), à classe dos mamíferos (como as baleias), à ordem dos primatas (como os grandes símios) e à espécie humana (homo sapiens) como todos os homens e todas as mulheres que habitam nossa galáxia. Somos espécie humana porque formamos um conjunto de seres, homens e mulheres capazes de constituir casais fecundos, isto é, capazes de procriar, de gerar outros machos e outras fêmeas. Sem a classificação, não é possível falar de milhões de espécies de animais do universo conhecido. Apenas, no seio da espécie homo-sapiens (homo sábio), a que pertencemos, somos hoje cerca de 6 bilhões de indivíduos. Nessa enorme diversidade humana que somos, da mesma maneira que distinguimos o babuíno do orangotango, não podemos confundir o chinês com o pigmeu da África, o norueguês com o senegalês, etc.
Em qualquer operação de classificação, é preciso primeiramente estabelecer alguns critérios objetivos com base na diferença e semelhança. No século XVIII, a cor da pele foi considerada como um critério fundamental e divisor d’água entre as chamadas raças. Por isso, que a espécie humana ficou dividida em três raças estancas que resistem até hoje no imaginário coletiva e na terminologia científica: raça branca, negra e amarela. Ora, a cor da pele é definida pela concentração da melanina. É justamente o degrau dessa concentração que define a cor da pele, dos olhos e do cabelo. A chamada raça branca tem menos concentração de melanina, o que define a sua cor branca, cabelos e olhos mais claros que a negra que concentra mais melanina e por isso tem pele, cabelos e olhos mais escuros e a amarela numa posição intermediária que define a sua cor de pele que por aproximação é dita amarela Ora, a cor da pele resultante do grau de concentração da melanina, substância que possuímos todos, é um critério relativamente artificial. Apenas menos de 1% dos genes que constituem o patrimônio genético de um indivíduo são implicados na transmissão da cor da pele, dos olhos e cabelos. Os negros da África e os autóctones da Austrália possuem pele escura por causa da concentração da melanina. Porém, nem por isso eles são geneticamente parentes próximos. Da mesma maneira que os pigmeus da África e da Ásia não constituem o mesmo grupo biológico apesar da pequena estatura que eles têm em
comum.
No século XIX, acrescentou-se ao critério da cor outros critérios morfológicos como a forma do nariz, dos lábios, do queixo, do formato do crânio, o angulo facial, etc. para aperfeiçoar a classificação. O crânio alongado, dito dolicocéfalo, por exemplo, era tido como característica dos brancos “nórdicos”, enquanto o crânio arredondado, braquicéfalo, era considerado como característica física dos negros e amarelos. Porém, em 1912, o antropólogo Franz Boas observara nos Estados Unidos que o crânio dos filhos de imigrados não brancos, por definição braquicéfalos, apresentavam tendência em alongar-se. O que tornava a forma do crânio uma característica dependendo mais da influência do meio, do que dos fatores raciais.
No século XX, descobriu-se graças aos progressos da Genética Humana, que haviam no sangue critérios químicos mais determinantes par consagrar definitivamente a divisão da humanidade em raças estancas. Grupos de sangue, certas doenças hereditárias e outros fatores na hemoglobina eram encontrados com mais freqüência e incidência em algumas raças do que em outras, podendo configurar o que os próprios geneticistas chamaram de marcadores genéticas. O cruzamento de todos os critérios possíveis ( o critério da cor da pele, os critérios morfológicos e químicos) deu origem a dezenas de raças, sub-raças e sub-sub-raças. As pesquisas comparativas levaram também à conclusão de que os patrimônios genéticos de dois indivíduos pertencentes à uma mesma raça podem ser mais distantes que os pertencentes à raças diferentes; um marcador genético característico de uma raça, pode, embora com menos incidência ser encontrado em outra raça. Assim, um senegalês pode, geneticamente, ser mais próximo de um norueguês e mais distante de um congolês, da mesma maneira que raros casos de anemia falciforme podem ser encontrados na Europa, etc. Combinando todos esses desencontros com os progressos realizados na própria ciência biológica (genética humana, biologia molecular, bioquímica), os estudiosos desse campo de conhecimento chegaram a conclusão de que a raça não é uma realidade biológica, mas sim apenas um conceito alias cientificamente inoperante para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raças estancas. Ou seja, biológica e cientificamente, as raças não existem.
A invalidação científica do conceito de raça não significa que todos os indivíduos ou todas as populações sejam geneticamente semelhantes. Os patrimônios genéticos são diferentes, mas essas diferenças não são suficientes para classificá-las em raças. O maior problema não está nem na classificação como tal, nem na inoperacionalidade científica do conceito de raça. Se os naturalistas dos séculos XVIII-XIX tivessem limitado seus trabalhos somente à classificação dos grupos humanos em função das características físicas, eles não teriam certamente causado nenhum problema à humanidade. Suas classificações teriam sido mantidas ou rejeitadas como sempre aconteceu na história do conhecimento científico.
Infelizmente, desde o início, eles se deram o direito de hierarquizar, isto é, de estabelecer uma escala de valores entre as chamadas raças. O fizeram erigindo uma relação intrínseca entre o biológico (cor da pele, traços morfológicos) e as qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais. Assim, os indivíduos da raça “branca”, foram decretados coletivamente superiores aos da raça “negra” e “amarela”, em função de suas características físicas hereditárias, tais como a cor clara da pele, o formato do crânio (dolicocefalia), a forma dos lábios, do nariz, do queixo, etc. que segundo pensavam, os tornam mais bonitos, mais inteligentes, mais honestos, mais inventivos, etc. e conseqüentemente mais aptos para dirigir e dominar as outras raças, principalmente a negra mais escura de todas e conseqüentemente considerada como a mais estúpida, mais emocional, menos honesta, menos inteligente e portanto a mais sujeita à escravidão e a todas as formas de dominação.
A classificação da humanidade em raças hierarquizadas desembocou numa teoria pseudo-científica, a raciologia, que ganhou muito espaço no início do século XX. Na realidade, apesar da máscara científica, a raciologia tinha um conteúdo mais doutrinário do que científico, pois seu discurso serviu mais para justificar e legitimar os sistemas de dominação racial do que como explicação da variabilidade humana. Gradativamente, os conteúdos dessa doutrina chamada ciência, começaram a sair dos círculos intelectuais e acadêmicos para se difundir no tecido social das populações ocidentais dominantes. Depois foram recuperados pelos nacionalismos nascentes como o nazismo para legitimar as exterminações que causaram à humanidade durante a Segunda guerra mundial. Podemos observa que o conceito de raça tal como o empregamos hoje , nada tem de biológico. É um conceito carregado de ideologia, pois como todas as ideologias, ele esconde uma coisa não proclamada: a relação de poder e de dominação. A raça, sempre apresentada como categoria biológica, isto é natural, é de fato uma categoria etnosemântica.
De outro modo, o campo semântico do conceito de raça é determinado pela estrutura global da sociedade e pelas relações de poder que a governam. Os conceitos de negro, branco e mestiço não significam a mesma coisa nos Estados Unidos, no Brasil, na África do Sul, na Inglaterra, etc. Por isso que o conteúdo dessas palavras é etno-semântico, político-ideológico e não biológico. Se na cabeça de um geneticista contemporâneo ou de um biólogo molecular a raça não existe, no imaginário e na representação coletivos de diversas populações contemporâneas existem ainda raças fictícias e outras construídas a partir das diferenças fenotípicas como a cor da pele e outros critérios morfológicos. É a partir dessas raças fictícias ou “raças sociais” que se reproduzem e se mantêm os racismos populares.
Alguns biólogos anti-racistas chegaram até sugerir que o conceito de raça fossebanido dos dicionários e dos textos científicos. No entanto, o conceito persiste tanto no uso popular como em trabalhos e estudos produzidos na área das ciências sociais. Estes, embora concordem com as conclusões da atual Biologia Humana sobre a inexistência científica da raça e a inoperacionalidade do próprio conceito, eles justificam o uso do conceito como realidade social e política, considerando a raça como uma construção sociológica e uma categoria social de dominação e de exclusão. A questão mais importante do ponto de vista científico não é apenas observar e estabelecer tipologias, mas sim principalmente encontrar a explicação da diversidade humana. Antes de Darwin e seus predecessores (Lamarck), a representação do mundo tido como criado, era estática e imóvel. As variações entre os organismos tinham uma explicação metafísica. Mas Darwin demonstrou a partir dos princípios da seleção natural (A Evolução da Espécie,1859), que os organismos vivos evoluíram gradativamente a partir de uma origem comum e se diversificaram no tempo e no espaço, adaptando-se a meios hostis, diversos e em perpétua transformação. A variação dos caracteres genéticos, fisiológicos, morfológicos e comportamentais hoje observados, tanto entre as populações vegetais e animais como humanas, correspondem em grande medida a um fenômeno adaptativo.
Exemplos: uma pele escura concentra mais melanina que uma pele clara, pois protegecontra a infiltração dos raios ultravioletas nos países tropicais; uma pele clara é necessárianos países frios, pois auxilia na síntese da vitamina D. Graças aos progressos da ciência e da tecnologia, a adaptação ao meio ambiente não precisa mais hoje de mutações genéticas necessárias no longínquo passado de nossos antepassados.
A diversidade genética é absolutamente indispensável à sobrevivência da espécie humana. Cada indivíduo humano é o único e se distingue de todos os indivíduos passados, presentes e futuros, não apenas no plano morfológico, imonológico e fisiológico, mas também no plano dos comportamentos. É absurdo pensar que os caracteres adaptativos sejam no absoluto “melhores” ou “menos bons”, “superiores” ou “inferiores” que outros. Uma sociedade que deseja maximizar as vantagens da diversidade genética de seus membros deve ser igualitária, isto é, oferecer aos diferentes indivíduos a possibilidade de escolher entre caminhos, meios e modos de vida diversos, de acordo com as disposições naturais de cada um. A igualdade supõe também o respeito do indivíduo naquilo que tem de único, como a diversidade étnica e cultural e o reconhecimento do direito que tem toda pessoa e toda cultura de cultivar sua especificidade, pois fazendo isso, elas contribuem a enriquecer a diversidade cultural geral da humanidade.
O CONCEITO DE RACISMO
Criado por volta de 1920, o racismo enquanto conceito e realidade já foi objeto de diversas leituras e interpretações. Já recebeu várias definições que nem sempre dizem a mesma coisa, nem sempre têm um denominador comum. Quando utilizamos esse conceito em nosso cotidiano, não lhe atribuímos mesmos conteúdo e significado, daí a falta do consenso até na busca de soluções contra o racismo.
Por razões lógicas e ideológicas, o racismo é geralmente abordado a partir da raça, dentro da extrema variedade das possíveis relações existentes entre as duas noções. Com efeito, com base nas relações entre “raça” e “racismo”, o racismo seria teoricamente uma ideologia essencialista que postula a divisão da humanidade em grandes grupos chamados raças contrastadas que têm características físicas hereditárias comuns, sendo estas últimas suportes das características psicológicas, morais, intelectuais e estéticas e se situam numa escala de valores desiguais. Visto deste ponto de vista, o racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, lingüísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as características intelectuais e morais de um dado grupo, são conseqüências diretas de suas
características físicas ou biológicas.
Mas o racismo e as teorias que o justificam não caíram do céu, eles têm origens mítica e histórica conhecidas. A primeira origem do racismo derive do mito bíblico de Noé do qual resulta a primeira classificação, religiosa, da diversidade humana entre os três filhos de Noé, ancestrais das três raças: Jafé (ancestral da raça branca), Sem (ancestral da raça amarela )e Cam (ancestral da raça negra). Segundo o nono capitulo da Gênese, o patriarca Noé, depois de conduzir por muito tempo sua arca nas águas do dilúvio, encontrou finalmente um oásis. Estendeu sua tenda para descansar, com seus três filhos. Depois de tomar algumas taças de vinho, ele se deitara numa posição indecente. Cam, ao encontrar seu pai naquela postura fez, junto aos seus irmãos Jafé e Sem, comentários desrespeitosos sobre o pai. Foi assim que Noé, ao ser informado pelos dois filhos descontentes da risada não linzongeira de Cam, amaldiçoou este último, dizendo: seus filhos serão os últimos a ser escravizados pelos filhos de seus irmãos. Os calvinistas se baseiam sobre esse mito para justificar e legitimar o racismo anti-negro. A Segunda origem do racismo tem uma história conhecida e inventariada, ligada ao modernismo ocidental. Ela se origina na classificação
dita científica derivada da observação dos caracteres físicos (cor da pele, traços morfológicos). Os caracteres físicos foram considerados irreversíveis na sua influência sobre os comportamentos dos povos. Essa mudança de perspectiva foi considerada como um salto ideológico importante na construção da ideologia racista, pois passou-se de um tipo de explicação na qual o Deus e o livre arbítrio constituí o eixo central da divisão da história humana, para um novo tipo, no qual a Biologia (sob sua forma simbólica) se erige em determinismo racial e se torna a chave da história humana.
Insisto sobre o fato de que o racismo nasce quando faz-se intervir caracteres biológicos como justificativa de tal ou tal comportamento. É justamente, o estabelecimento da relação intrínseca entre caracteres biológicos e qualidades morais, psicológicas, intelectuais e culturais que desemboca na hierarquização das chamadas raças em superiores e inferiores. Carl Von Linné, o Lineu, o mesmo naturalista sueco que fez a primeira classificação racial das plantas, oferece também no século XVIII, o melhor exemplo da classificação racial humana acompanhada de uma escala de valores que sugere a hierarquização.Com efeito, na sua classificação da diversidade humana, Lineu divide o Homo Sapiens em quatro raças:
· Americano, que o próprio classificador descreve como moreno, colérico, cabeçudo, amante da liberdade, governado pelo hábito, tem corpo pintado.
· Asiático: amarelo, melancólico, governado pela opinião e pelos preconceitos, usa roupas largas.
· Africano: negro, flegmático, astucioso, preguiçoso, negligente, governado pela vontade de seus chefes(despotismo), unta o corpo com óleo ou gordura, sua mulher tem vulva pendente e quando amamenta seus seios se tornam moles e alongados.
· Europeu: branco, sangüíneo, musculoso, engenhoso, inventivo, governado pelas leis, usa roupas apertados.
Como Lineu conseguiu relacionar a cor da pele com a inteligência, a cultura e as características psicológicas num esquema sem dúvida hierarquizante, construindo uma escala de valores nitidamente tendenciosa? O pior é que os elementos dessa hierarquização sobreviveram ao tempo a aos progressos da ciência e se mantêm ainda intactos no imaginário coletivo das novas gerações. No entanto, não foi, até o ponto atual dos conhecimentos, cientificamente comprovada a relação entre uma variável biológica e um caractere psicológico, entre raça e aptidões intelectuais, entre raça e cultura.
A concepção do racismo baseada na vertente biológica começa a mudar a partir dos anos 70, graças aos progressos realizados nas ciências biológicas (genética humana,bioquímica, biologia molecular) e que fizeram desacreditar na realidade científica da raça. Assiste-se então ao deslocamento do eixo central do racismo e ao surgimento de formas derivadas tais como racismo contra mulheres, contra jovens, contra homossexuais, contra pobres, contra burgueses, contra militares, etc. Trata-se aqui de um racismo por analogia ou metaforização, resultante da biologização de um conjunto de indivíduos pertencendo a uma mesma categoria social. É como se essa categoria social racializada (biologizada) fosse portadora de um estigma corporal. Temos nesse caso o uso popular do conceito de racismo, qualificando de racismo qualquer atitude ou comportamento de rejeição e de injustiça social.
Esse uso generalizado do racismo pode constituir uma armadilha ideológica, na medida em que pode levar à banalização dos efeitos do racismo, ou seja, a um esvaziamento da importância ou da gravidade dos efeitos nefastos do racismo no mundo.
Por que os negros se queixam tanto, pois afinal não são as únicas vítimas do racismo (?), indagariam os indivíduos motivados por essa lógica de banalização. Em conseqüência, o racismo com seus múltiplos usos e suas numerosas lógicas se torna tão banal que é usado para explicar tudo. Mas o deslocamento mais importante do eixo central do racismo pode ser observado bem antes dos anos 70, a partir de 1948, com a implantação do apartheid na África do sul. O apartheid (palavra do Afrikans), foi oficialmente definido como um projeto político de desenvolvimento separado, baseado no respeito das diferenças étnicas ou culturais dos povos sul africanos. Um projeto, certamente fundamentado no multiculturalismo política e ideologicamente manipulado. Observa-se também que é em nome do respeito das diferenças e da identidade cultural de cada povo que o racismo se reformula e se mantém nos países da Europa ocidental contra os imigrantes dos países árabes, africanos e outros dos países do Terceiro mundo, a partir dos anos 80. Já no fim do século passado e início deste século, o racismo não precisa mais do conceito de raça no sentido biológico para decretar a existência das diferenças insuperáveis entre grupos estereótipos. Além da essencialização somático-biológica, o estudo sobre o racismo hoje deve integrar outros tipos de essencialização, em especial a essencialização históricocultural.
Embora a raça não exista biologicamente, isto é insuficiente para fazer desaparecer as categorias mentais que a sustentam. O difícil é aniquilar as raças fictícias que rondam em nossas representações e imaginários coletivos. Enquanto o racismo clássico se alimenta na noção de raça, o racismo novo se alimenta na noção de etnia definida como um grupo cultural, categoria que constituí um lexical mais aceitável que a raça(falar politicamente correto).
Estamos entrando no terceiro milênio carregando o saldo negativo de um racismo elaborado no fim do séculos XVIII aos meados do século XIX. A consciência política reivindicativa das vítimas do racismo nas sociedades contemporâneas está cada vez mais crescente, o que comprova que as práticas racistas ainda não recuaram. Estamos também entrando no novo milênio com a nova forma de racismo: o racismo construído com base nas diferenças culturais e identitárias. Devemos, portanto observar um grande paradoxo a partir dessa novo forma de racismo: racistas e anti-racistas carregam a mesma bandeira baseada no respeito das diferenças culturais e na construção de uma política multiculturalista. Se por um lado, os movimentos negros exigem o reconhecimento público de sua identidade para a construção de uma nova imagem positiva que possa lhe devolver, entre outro, a sua auto-estima rasgada pela alienação racial, os partidos e movimentos de extrema direita na Europa, reivindicam o mesmo respeito à cultura “ocidental” local como pretexto para viver separados dos imigrantes árabes, africanos e outros dos países não ocidentais.
Depois da supressão das leis do apartheid na África do sul, não existe mais, em nenhuma parte do mundo, um racismo institucionalizado e explícito. O que significa que os Estados Unidos, a África do Sul e os países da Europa ocidental se encontram todos hoje no mesmo pé de igualdade com o Brasil, caracterizado por um racismo de fato e implícito, as vezes sutil (salvo a violência policial que nunca foi sutil). Os americanos evoluíram relativamente em relação ao Brasil, pois além da supressão das leis segregacionistas no Sul, eles implantaram e incrementaram as políticas de “ação afirmativa”, cujos resultados na ascensão sócio-econômica dos afro-americanos são inegáveis. Os sul africanos evoluíram também, pois colocaram fim às leis do apartheid e estão hoje no caminho de construção de sua democracia, que eles definem como uma democracia “não racial”. No Brasil o mito de democracia racial bloqueou durante muitos anos o debate nacional sobre as políticas de “ação afirmativa” e paralelamente o mito do sincretismo cultural ou da cultura mestiça(nacional) atrasou também o debate nacional sobre a implantação do multiculturalismo no sistema educacional brasileiro.
CONCEITO DE ETNIA
O conteúdo da raça é morfo-biológico e o da etnia é sócio-cultural, histórico e psicológico. Um conjunto populacional dito raça “branca”, “negra” e “amarela”, pode conter em seu seio diversas etnias. Uma etnia é um conjunto de indivíduos que, histórica ou mitologicamente, têm um ancestral comum; têm uma língua em comum, uma mesma religião ou cosmovisão; uma mesma cultura e moram geograficamente num mesmo território.
Algumas etnias constituíram sozinhas nações. Assim o caso de várias sociedades indígenas brasileiras, africanas, asiáticas, australianas, etc.. que são ou foram etnias nações. Os territórios geográficos da quase totalidade das etnias nações africanas foram desfeitos e redistribuídos entre territórios coloniais durante a conferência de Berlim (1884-1885). É por isso que o mapa geo-político da África atual difere totalmente do mapa geo-político précolonial.
Os antigos territórios étnicos, no sentido dos estados nações são hoje divididos entre diversos países africanos herdados da colonização. O antigo território da etnia iorubá se encontra dividido hoje entre as Repúblicas de Nigéria, Togo e Benin; o antigo território da etnia Kongo é hoje dividido entre as Repúblicas de Angola, Congo Kinshasa e Congo Brazaville, etc. para citar apenas dois exemplos entre dezenas.
A maioria dos pesquisadores brasileiros que atuam na área das relações raciais e interétnicas recorrem com mais freqüências ao conceito de raça. Eles empregam ainda este conceito, não mais para afirmar sua realidade biológica, mas sim para explicar o racismo, na medida em que este fenômeno continua a se basear em crença na existência das raças hierarquizadas, raças fictícias ainda resistentes nas representações mentais e no imaginário coletivo de todos os povos e sociedades contemporâneas. Alguns, fogem do conceito de raça e o substituem pelo conceito de etnia considerado como um lexical mais cômodo que o de raça, em termos de “fala politicamente correta”. Essa substituição não muda nada à realidade do racismo, pois não destruí a relação hierarquizada entre culturas diferentes que é um dos componentes do racismo. Ou seja, o racismo hoje praticado nas sociedades contemporâneas não precisa mais do conceito de raça ou da variante biológica, ele se reformula com base nos conceitos de etnia, diferença cultural ou identidade cultural, mas as vítimas de hoje são as mesma de ontem e as raças de ontem são as etnias de hoje. O que mudou na realidade são os termos ou conceitos, mas o esquema ideológico que subentende a dominação e a exclusão ficou intato. É por isso que os conceitos de etnia, de identidade étnica ou cultural são de uso agradável para todos: racistas e anti-racistas.
Constituem uma bandeira carregada para todos, embora cada um a manipule e a direcione de acordo com seus interesses.
Em meus trabalhos, utilizo geralmente no lugar dos conceitos de “raça negra” e “raça branca”, os conceitos de “Negros” e “Brancos” no sentido político-ideológico acima explicado, ou os conceitos de “População Negra” e “População Branca”, emprestados do biólogo e geneticista Jean Hiernaux, que entende por população um conjunto de indivíduos que participam de um mesmo círculo de união ou de casamento e que, ipso facto, conservam em comum alguns traços do patrimônio genético hereditário.
Tanto o conceito de raça quanto o de etnia são hoje ideologicamente manipulados. É esse duplo uso que cria confusão na mente dos jovens pesquisadores ou iniciantes. A confusão está justamente no uso não claramente definido dos conceitos de raça e etnia que se refletem bem nas expressões tais como as de “identidade racial negra”, “identidade étnica negra”, “identidade étnico-racial negra”, etc.
Os povos que aqui se encontraram e construíram um país que podemos historicamente considerar como um encontro ou “carrefour” de culturas e civilizações, não podem mais, em nome da Ciência biológica atual ou da Genética humana, ser considerados como raças, mas sim como populações, na medida em que eles continuam pelas regras culturais de endogamia, a participarem dos mesmos círculos de união ou casamento,embora esses círculos não estivessem totalmente fechados como ilustrado pelo crescimento da população mestiça. Por outro lado, todos esses povos foram oriundos de diversas etnias da Europa, da África, da Ásia, da Arábia, etc. Aqui encontraram outros mosaicos indígenas formados por milhões de indivíduos que foram dizimados pelo contato com a civilização ocidental e cujos sobreviventes formam as chamadas tribos indígenas de hoje.
Podemos, no plano empírico, afirmar que todas essas diversidades oriundas da Europa, da África, da Ásia, do Oriente Médio, etc. se aculturaram para formar novas etnias “branca”, “negra”, e “amarela”, etc.? Não seria criar uma tremenda confusão na medida em que o uso de tais conceitos remeteria a uma certa biologização da cultura? O que significaria então uma etnia negra, branca ou amarela que por sua vez corresponde a uma unidade cultural branca, negra e amarela? Os chamados negros, brancos e amarelos estariam como as laranjeiras, mangueiras, bananeiras, etc. que produzem respectivamente laranjas, mangas e bananas produzindo também as culturas brancas, negras e amarelas?
Sem dúvida, a etnia não é ume entidade estática. Ela tem uma história, isto é uma origem e uma evolução no tempo e no espaço. Se olharmos atentamente a história de todos os povos, perceberemos que as etnias nascem e desaparecem na noite dos tempos. Visto deste ângulo, não seria errado falar de novas etnias ou etnias contemporâneas à condição que os que usam esses conceitos tomem o cuidado de defini-los primeiramente para evitar confusões com outros conceitos, etc. Não é isso que geralmente acontece com os usos dos conceitos de cultura “negra” e “branca” ou de etnia “negra”. Os idealizadores desses conceitos poderiam, no mínimo, definir os novos componentes e conteúdos desses conceitos no contexto da dinâmica contemporânea das relações raciais e interétnicas. Sem dúvida, por uma visão político-ideológica que colocou coletivamente os brancos no topo da pirâmide social, do comando e do poder, independentemente de suas raízes culturais de origem étnica, tem-se tendência, por vício da ideologia racista que estabelece uma relação intrínseca entre biologia e cultura ou raça e cultura, a considerar a população branca, independentemente de suas diferentes origens geográficos e culturais, como pertencente a uma mesma cultura ou mesma etnia, daí as expressões equívocas e
equivocadas de “cultura branca” e “etnia branca”. Pelo mesmo raciocínio baseado na visão político-ideológica que colocou coletivamente os negros na base da pirâmide como grupo Têm-se culturas particulares que escapam da cultura globalizada e se posicionam até como resistência ao processo de globalização. Essas culturas particulares se constróem diversamente tanto no conjunto da população negra como no da população branca e oriental. É a partir da tomada de consciência dessas culturas de resistência que se constroem as identidades culturais enquanto processos e jamais produtos acabados. São essas identidades plurais que evocam as calorosas discussões sobre a identidade nacional e a introdução do multiculturalismo numa educação-cidadã, etc. Olhando a distribuição geográfica do Brasil e sua realidade etnográfica, percebe-se que não existe uma única cultura branca e uma única cultura negra e que regionalmente podemos distinguir diversas culturas no Brasil. Neste sentido, os afro-baianos produzem no campo da religiosidade, da música, da culinária, da dança, das artes plásticas, etc. uma cultura diferente dos afromineiros, dos afro-maranhenses e dos negros cariocas. As comunidades quilombolas ou remanescentes dos quilombos, apesar de terem alguns problemas comuns, apresentam também histórias, culturas e religiões diferentes. Os descendentes de italianos em todo o Brasil preservaram alguns hábitos alimentares que os aproximam da terra mãe; os gaúchos no Rio Grande do Sul têm também peculiaridades culturais na sua dança, em seu traje e em seus hábitos alimentares e culinários que os diferenciam dos baianos, etc. Como a identidade cultural se construí com base na tomada de consciência das diferenças provindo das particularidades históricas, culturais, religiosas, sociais, regionais, etc. se delineiam assim no Brasil diversos processos de identidade cultural, revelando um certo pluralismo tanto entre negros, quanto entre brancos e entre amarelos, todos tomados como sujeitos históricos e culturais e não como sujeitos biológicos ou raciais.
“identidade étnico-racial negra”. A questão é saber se todos têm consciência do conteúdo político dessas expressões e evitam cair no biologismo, pensando que os negros produzem cultura e identidade negras como as laranjeiras produzem laranjas e as mangueiras as mangas. Esta identidade política é uma identidade unificadora em busca de propostas transformadoras da realidade do negro no Brasil. Ela se opõe a uma outra identidade unificadora proposta pela ideologia dominante, ou seja, a identidade mestiça, que além de buscar a unidade nacional visa também a legitimação da chamada democracia racial brasileira e a conservação do status quo.
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* Palestra proferida no 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação-PENESB-RJ, 05/11/03
Colaboração: Crisitina Sales
